quarta-feira, agosto 16, 2006

Verão

Estamos no verão, não há duvida. As praias estão cheias, as mulheres ganham de repente um maior interesse e os dias acabam mais tarde. No cardapio dos restaurantes ganham espaço as refeições frias, abrem-se esplanadas ao pe da rua, passos apressados em direcção as sombras que teimam em escassear. Por outro lado rostos suados, impacientes, asfixiantes, como se todos estivessemos presos num elevador ha muito parado. As horas derretem-se, os dias passam, so as manhas e os finais de tarde são apeteciveis. Tudo o resto é imsuportavel.

Nos andaimes das obras a poesia urbana ganha novos contornos. De talocha na mão, os poetas do cimento constroem estranhas formas literarias e dão novo animo a mulheres de baixa auto-estima. Ouço: «Vem cá, que o Pai unta-te».

Na rua, trocam-se olhares com promessas de sexo imediato, os cinemas deixam de ter gente a tarde, as lareiras das vivendas dao agora lugar a sumptuosos aquarios e o chao parece queimar os pes, como se tivessemos a sair da praia descalçoes nas horas de maior calor.

O cheiro a churrasco é agora o perfume que usa a vizinhança enquanto homens se debruçam nas varandas, oferecendo o corpo descoberto à vizinha da frente. Esta, já desabituada destes jogos, sorri de forma cândida, olhando de soslaio para o marido, que permanece na sala elevando de forma pecaminosa a mão ao cabelo, em claro sinal de que outros dias virão, quem sabe se não tão distantes.

As conversas agitam-se nos copos, os gestos perfuram a imensidão da noite e todas as palavras se unem para um só rio, de corrente clara, de uma frescura pintada com lençois de linho e pele humida untada pelo orvalho da manha que se aproxima. E o verão é isto, talvez mais, bem sei, mas é nesta estação que os olhares se encontram em cruzamentos que outrora se julgavam intransponiveis. O verão somos nós, mas já sem o olhar de Inverno que encheu de gelo o copo que agora repousa, suado.

quinta-feira, agosto 03, 2006

VIP

!!!!EXCLUSIVO KOELHEIRA!!!!

...Zidane foi visto no Algarve,e obviamente como frequentamos os lugares mais exclusivos podemos captar esta foto com direito ao respectivo autografo...aqui fica a preciosidade!





Ps: como é visivel a qualidade da foto não é a melhor,a explicação advém do justificado medo do fotografo...aquela cabeçorra faz estragos,e nos já vimos de que o homem é capaz!!

quarta-feira, junho 28, 2006

CASTIGADO

É oficial: Valentin Ivanov exibiu o 2º cartão amarelo ao Koelheira e consequente cartolina encarnada.



O Koelheira foi acusado de perder tempo, dados os longos períodos decorridos entre posts e a fraca dinâmica dos intervenientes.

A Federação Koelhesa já pediu a despenalização do blog, por forma a poder alinhar no próximo Sábado após a partida entre Portugal e "Aquela Coisa Ali Assim em Baixo da Escócia e à Direita de Gales" nas salvas à fantástica vitória Lusitana.

Entretanto, correm rumores que a atitude do árbitro poderá tratar-se apenas de um tique nervoso, dada a recorrência do gesto.

sábado, junho 17, 2006

Pequena historia by FilipaG

Ligo o televisor e fico de mente adormecida a olhar as imagens que se sucedem.
Faço zapping automaticamente, na esperança que algo me desperte a atenção, mas nada…
Fecho os olhos e caio em mim.
Buscando o meu eu interrogo-me - Qual é a minha vocação? - Dizem que todos temos uma, mas quantos verdadeiramente a encontram?
Homem de meia-idade, empregado mediano perdido numa rotina entediante sem fim. Casar, ter filhos, vê-los crescer e partir deixando-nos de novo entregues a nossa mesquinha existência.
Sentir os anos a pesar, olhando para trás e questionar-me – Qual foi a minha diferença no mundo? Qual a minha marca? – Continuar o legado da minha espécie? Até nisso o meu cão se saiu melhor que eu.
Sem o fervor da minha juventude vejo-me encurralado numa existência menor que este ponto final.
Sento-me na cadeira junto a janela e observo o jardim. As crianças brincam lá fora, sob os olhares atentos dos pais. Mas nas suas mentes a imaginação fervilha e ora são princesas, ora são astronautas, ou mesmo pilotos da aviação. Todo o mundo que os rodeia é alheio a intimidade das suas brincadeiras. Brincam sem a noção que estes serão os seus melhores dias.
Quem me dera poder descer as escadas, correr estrada fora e sentar-me no baloiço. Ah, como eu adorava sentir o vento na cara, e baloiçar cada vez mais alto jurando que um dia tocaria no céu.
De repente um súbito desejo se apodera de mim, – tenho de as avisar! Tenho de lhes dizer que não parem nunca de brincar, sonhar, lutar e viver. Preciso de lhes dizer, que não se tornem como eu, mais uma mosca na parede! Precisam de marcar a diferença!
Levantando-me da cadeira, nem sinto as dores do corpo envelhecido, abro a porta e desço as escadas o mais depressa que posso! – É hoje que marcarei a minha diferença! – Quase sem fôlego atiro-me para a estrada, o sinal ainda estava verde… juro! – Mas não cheguei ao outro lado…
Um carro em excesso de velocidade não parou e abalroou-me atirando-me uns bons metros no ar, até que caio no chão desamparado qual boneco de trapos.
Em flashes recordo-me de ver uma dúzia de rostos desconhecidos, com ar estarrecido. Falavam mas eu não os ouvia. Não sentia dores apenas frio, muito frio… os rostos foram-se esfumando em mil cores.
Quando voltei a mim estava sentado no baloiço, sentindo o vento na minha cara… baloiçava com toda a minha força, pra frente e pra trás, cada vez mais alto… até que ganhei asas e voei!
Voei pelos céus e estendendo um dedo realizei o meu sonho de criança, toquei o céu!



FilipaG.

quinta-feira, junho 15, 2006

O TIT não pára!

Estudos do TIT revelam que há pór aí uma nova tendência que parece ter virado moda, que é colocar letras de musicas em blogs. E sendo este um blog que está em voga, temos o dever de a seguir.

Aqui deixo ficar uma letra muito gira, muito sentida, que todos nós conhecemos, e não quero comentários com palavras associadas a bebedeiras, serenatas, cantares, ruskinof ou outro tipo de vodka, varandas, madrugada, praia, e luzes.

(Não pensem muito! A sério... Não insisto que comentem este post...)


Mulher

Mulher, mal que por meu mal és o meu bem
Qualquer sabe que és leal só quando és mãe
É louco, é sandeu quem disser
À mulher seja ela qual for
Mulher, tu és o amor

Não, não és, tu és só traição de lés a lés
Mal vês preso um coração pisa-lo aos pés
Em cem como tu conto as cem
Entre as falsas pois cego eu não sou
Mas diz-me outra vez amor vem
Diz-me que eu vou

Diz-me que eu vou

(serenata dos anos 30)